23 de ago de 2013

CONARH 2013: "O gigante acordou, mas às vezes tira umas sonecas" diz FHC



O ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, participou no dia 19 do CONARH, um dos maiores eventos de Recursos Humanos da América Latina que reúne grandes nomes para discutir sobre os principais assuntos e tendências da área. Em sua palestra “Brasil – O Gigante Acordou?”, o sociólogo e professor universitário falou das últimas mobilizações sociais no país e o futuro das estruturas organizacionais.

O motivo inicial das manifestações foi o aumento da tarifa de ônibus (de R$ 3 para R$ 3,20), mas mesmo o governo declinando o reajuste, novas angústias com as condições políticas e sociais continuaram tomando as ruas de diversas cidades. Desde o impeachment de Fernando Collor, em 1992, não acontecia uma movimentação tão expressiva.


FHC palestrou no CONARH 2013
Fernando Henrique afirmou “Esse é um momento muito especial, estamos vendo o renascimento da pessoa amorfa, diferente do que vivíamos, essas manifestações partiram da população e não de partidos políticos ou associações”.

Para ele, esse foi o movimento dos inconformados e não, necessariamente, dos mais necessitados. Sendo um reflexo de um desconforto geral da sociedade com a vida cotidiana, vivemos em um país emergente, o transporte coletivo é precário e o crime afeta a todos, independente da classe social. 


Essa grande transformação na sociedade tem como base a evolução tecnológica, pois permite uma conectividade entre pessoas que não se conhecem, a troca de informação para que assim elas possam se organizar por uma motivação coletiva. Para Fernando Henrique, as reivindicações das últimas manifestações refletem ainda a perda de prestígio do governo e a insatisfação com o sistema político “No mundo moderno você precisa fazer para legitimar o poder concedido por meio da democracia. É necessário criar novos mecanismos para conectar o povo com o congresso”, comentou.

Há ainda um novo movimento na sociedade contemporânea para ele: a cobrança pela qualidade das relações humanas. Se olharmos os dados vemos que temos escolas e atendimento gratuito de saúde pelo SUS, mas a qualidade é questionável. Isso também acontece com a afirmação do cenário atual de pleno emprego, pois a expansão é apenas numérica já que grande maioria dos trabalhos oferecem em média dois salários mínimos como remuneração.

O sociólogo afirmou que o Brasil precisa refazer o rumo, para isso é necessário pulso firme e brincou “Não é uma tarefa fácil, mas necessária, fico feliz em estar aposentado”. No final de sua palestra quando questionado se afinal o gigante havia acordado ele disse rindo “Eu acho que o gigante já está andando, mas às vezes ele tira uma soneca”. 

Como isso impacta as empresas

Na sociedade contemporânea, as pessoas passaram a exigir mais pela qualidade, isso também vai acontecer cada vez mais nas organizações, os colaboradores vão querer mais e melhor. Esse sentimento hoje muito constante do “quero mais” é o ponto de partida para o progresso e para as pessoas quererem participar da deliberação.

O grande desafio para as organizações é perceber o novo e entender que cada um quer participar, é papel fundamental do RH ajudar nessa reorganização. O futuro, para Fernando Henrique, são as empresas deixando o modelo vertical de gestão para o horizontal, as pessoas precisarão convencer aos outros.

O líder que não se abre e que não consegue ouvir não tem mais espaço, pois lideres precisam ter a humildade para servir. E alerta: ouvir é o mais difícil, normalmente quanto mais alto se está, menos se ouve. 


Respondendo ainda uma pergunta sobre como administrar a expectativa das pessoas, Fernando Henrique diz que a faculdade mais importante é a imaginação, se você não deixar que as pessoas imaginem, não terá inovação e você não sairá do lugar. 

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