25 de set de 2013

Feedback: “o problema não é com você…”


Por Fátima Motta

Lembram desse anúncio da TV?

Cena 1

Época atual, casal anda na rua, carros velozes modernos passando e ele fala para ela:

– O problema não é com você… É comigo!

Cena 2

Início do século 20, o casal anda na rua, carroças passando e ele fala para ela:

– O problema não é com a senhorita… É comigo!

Cena 3

Época medieval, o casal anda pela rua de um vilarejo, cavalos e cavaleiros em armaduras e ele fala para ela:

– O problema não é com milady… É comigo!

Cena 4

E, no início de tudo, em uma área campestre, um casal, folha de parreira cobrindo as partes íntimas e ele fala para ela:

- Habeaya hi lo itach hi iti (que, em hebraico, significa “O problema não é com você… É comigo!”).

Pois então! Desde sempre a mesma história, usada aqui para vender carros e para mostrar que poucas coisas mudam. A gente tem muita dificuldade de falar a verdade na hora em que precisa dar um feedback. E não é só um feedback formal, no trabalho. É no dia a dia também.

Dedicar-se a falar ao outro, com sinceridade, quais são os pontos negativos e dificuldades é tão complicado que criamos eufemismos como “pontos a desenvolver” ou “oportunidades de crescimento”. Ficamos dando voltas, tentando contornar a situação, em vez de irmos direto ao ponto para abordar o que realmente importa: ajudar o outro a buscar melhorias e alcançar os seus objetivos.


Vou contar uma pequeníssima história. Um gestor de uma grande corporação tinha que demitir um executivo, dono de uma posição relevante. Nervoso, constrangido e mal preparado para este fim, decidiu apontar todos os pontos positivos conquistados pelo executivo. Exaltou-o tanto que o executivo, ao deixar a sua sala, saiu muito satisfeito porque achou que estava era sendo promovido:

– Acho que você não teria qualquer dificuldade em assumir uma posição gabaritada em outra empresa!

E ficou por isso mesmo. Ele só se esqueceu de dizer que aquilo era uma situação de demissão.

Por que será? Será que achamos que as pessoas são fracas o suficiente para não suportar a verdade? Ou que são pouco inteligentes para perceber que não estamos falando os reais motivos? Ou ainda, que nós mesmos não sabemos lidar com a difícil missão de encarar os olhos dos nossos subordinados e dizer o que precisa ser dito, baseados em fatos e evidências, de que sua performance não está ok?

Pois é… Dá trabalho, né? Exige tempo, cuidado e dedicação. Por isso nem todo mundo se dispõe a gastar seu tempo para fazer bem feito. Prefere repetir uma frase gasta, fácil e rápida.

O problema, no fundo, não é com o outro… É com você! Feedback honesto exige interesse genuíno pelo outro.

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